Acampamento Berbere

O Deserto Sahara é a “residência” de muitos Berberes (povo nómada), e são eles os responsáveis para que os turistas tenham esta experiência única, a de pernoitar num acampamento berbere.

Quando pensamos em acampamento associamos às típicas tendas de campismo e aos respectivos sacos cama, e era isso que estava à espera de encontrar neste acampamento no deserto.

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Mas fui agradavelmente surpreendida quando vi as nossas acomodações. Eram autênticos quartos, mas em vez de paredes de tijolo existem tapeçarias.

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A cama era bem grande, apesar de não ser muito confortável (mas estava perfeito para quem pensava que ia dormir no chão…)

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Entrada do WC

E surpresa, das surpresas existia uma casa de banho no quarto!! Com uma sanita, um lavatório e um pequeno chuveiro, mas a água que corria do chuveiro era muito pouca, e quase sempre fria… Mas para quem imaginava que não ia ter água para se lavar, isto estava a ser um verdadeiro luxo!

Também tínhamos ao nosso dispor toalhas de banho e  amostras de shampoo e gel de duche.

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As refeições eram servidas numa tenda comum.

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O jantar foi tipicamente marroquino, não faltaram as tajines, as azeitonas (nunca comi tantas azeitonas em tão pouco tempo), e os cuscous…IMG_1248

Depois do jantar acenderam uma fogueira na rua, onde o pessoal podia aquecer-se (durante a noite arrefeceu bastante) e conviver um bocado.

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Durante a noite arrefeceu bastante e fazia muito frio dentro da tenda, tive que dormir com uma blusa polar e apesar de termos muitas mantas na cama, não foram suficientes para me aquecer… Além do frio, não conseguia adormecer, pois só pensava que podia entrar um escorpião dentro da tenda (pois não havia portas…) e picar-me…

Apesar disso, senti-me uma privilegiada por estar a viver aquele momento, quantas vezes na vida temos a oportunidade de estar a dormir no meio do deserto?

Quem está a pensar ir a Marrocos, aconselho vivamente tirar uns dias para passar uma noite no deserto, é sem dúvida uma experiência fantástica e super enriquecedora.

Dunas Erg Chebbi – Sahara

Depois das gargantas do Todra, começamos a preparar-nos para um dos momentos altos da viagem… Assistir ao por do sol e ao nascer, e ter a formidável experiência de pernoitar no meio do deserto Sahara! Estava super entusiasmada e não via a hora de lá chegar 😀

No horizonte começamos a ver algumas dunas e a estrada de alcatrão começava a ficar camuflada com a areia… era sinal que estávamos a aproximar-nos do deserto 😀

Antes de prosseguirmos viagem para o deserto, fomos recebidos no Auberge du Sud com um chá de menta (em todos os locais que parávamos em Marrocos fomos recebidos com chá de menta).

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Photo by Ricardo Furtado

Já “conhecia” este fantástico hotel, mais propriamente a área da piscina, através das fotos que o João Cajuda publicava nas redes sociais.

E já que alí estávamos não podíamos perder a oportunidade de ver pessoalmente aquela piscina, que tantas vezes vimos em fotos…

Então pedimos ao staff do hotel se era possível ir a essa zona, disseram-nos que não havia problema, desde que não nos demorássemos muito, pois tínhamos que chegar ao acampamento antes do por do sol.

Lá fomos nós a correr para apreciar esta beleza de perto…

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Não é todos os dias que temos a oportunidade de estar numa piscina com uma incrível vista para as dunas do deserto do sahara!

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O meio de transporte que nos levou para o acampamento berbere, onde íamos pernoitar, foi o dromedário.

O entusiasmo e o receio de andar de dromedário estavam ao mesmo nível. O bicho estava deitado, nós sentamo-nos na sua bossa, e ao levantar-se as patas traseiras são as primeiras a elevarem-se, e com este movimento o nosso corpo é “projectado” para a frente… Por isso estava com um pouco de receio de dar um trambolhão de cima do bicho, quando ele estava a levantar-se…

Mas correu tudo bem, todos em cima dos respectivos dromedários, prontos para mais uma aventura 🙂

Para o acampamento apenas levamos o imprescindível para passar uma noite, uma mochila com uma muda de roupa e pouco mais.

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No inicio estava bastante animada por estar a viver esta experiência, andar de dromedário no meio do deserto, estava a ser uma experiência única!

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IMG_6705Mas com o passar do tempo, as dores começaram… A bossa do animal não é a coisa mais confortável do mundo e se juntarmos os solavancos que bicho dava para subir e descer as dunas, digamos que a coisa não foi muito agradável… e o cóccix começou a ressentir-se… Já não tinha posição para estar, não via a hora de sair de cima do raio do bicho…

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Photo by Ricardo Furtado

O que minimizava as dores era mesmo a fantástica paisagem que tínhamos à nossa volta.IMG_6731DSCN7383

Chegamos ao acampamento mesmo a tempo de assistir ao por do sol. Descemos dos dromedários e subimos uma enorme duna (e raios, como custou subir aquela duna), e do topo tivemos o privilégio de assistir a um lindíssimo por do sol.

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Ficamos ali até o sol desaparecer totalmente e o céu ficar com uns tons quentes.

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E alí estávamos nós, longe de toda a civilização, só nós e a imensidão do deserto Sahara.

Estávamos precisamente nas dunas de Erg Chebbi, a cerca de 30 km da fronteira da Argélia. Eu e a Sandra ainda brincamos que estávamos tão perto da Argélia que podíamos dar um “pulinho” só para ficarmos com mais um carimbo no passaporte 🙂

Depois de o sol desaparecer completamente no horizonte, decidimos ir conhecer as nossas acomodações no acampamento (vou fazer um post com os pormenores do acampamento).

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A noite chegou e depois de um típico jantar marroquino, assisti a um céu deslumbrante de tão estrelado que estava.

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Photo by Ricardo Furtado

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Foi aí que caiu-me a ficha, estávamos no meio do nada, longe de toda a civilização, no nosso acampamento apenas estávamos nós e mais uns quatro brasileiros e o pessoal do staff… Aqui não havia rede de telemóvel e a electricidade que havia era produzida através de um gerador…

O silêncio era contagiante e difícil de explicar, os sons que ouvíamos durante a noite eram apenas os da natureza (e alguns ronco nos “quarto” junto ao nosso :P)

É daquelas experiências únicas e impossíveis de esquecer, pois não é todos os dias que podemos dizer que pernoitamos no meio do deserto…

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Eram 5:30 hrs quando acordamos, para subir a uma duna e assistir ao nascer do sol.

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Depois de uma subida difícil pela duna, sentamo-nos a assistir a este único e lindo espectáculo.

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Estávamos nós descansadinhos no topo da duna, até que a nossa paz foi perturbada pelo resto dos turistas que estavam no acampamento… Assistimos a algo que ficou como uma das frases da nossa viagem…

Como já tinha comentado, os outros turistas que estavam no acampamento eram brasileiros, e uma das senhoras não estava a conseguir subir a duna (sim, era mesmo difícil!), então um dos senhores que já estava no topo grita lá de cima “Vem dxiii quatrrroooo” (Ler com sotaque brasileiro), e para rematar ainda disse que para descer “Vai dxxiii bundaa” 🙂

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Photo by Ricardo Furtado

Tirando este caricato episódio, foi um momento mágico, o de contemplar o nascer do sol nas dunas do deserto.

A esta hora, as dunas possuem uma cor rosa vivo, e todo o local ainda se torna mais encantador.

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Depois de tomarmos o pequeno almoço eram horas de voltar para a civilização…

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Mais um hora em cima do dromedário… Uma hora bem dolorosa, pois o meu coccix ainda não tinha recuperado das dores do dia anterior…

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Vá lá que o cenário compensava todas as dores 🙂

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