Havana: El Malecón

Como parar é morrer, depois de ter chegado da excursão a Pinar del Rio, ainda fui “bater perna” no Malecón.

O Malecón é um dos lugares mais emblemáticos de Havana. Trata-se de uma avenida que se estende por 8 kilómetros, ao longo da costa.

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A construção do Malecón começou em 1901, durante o governo provisório militar dos EUA. O principal objectivo desta construção, era proteger a cidade das marés, mas na realidade, acabou por transformar-se num local de passeio.

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E é aqui que centenas de cubanos, depois de um dia de trabalho, e aos fins de semana se reúnem para assistir a um belo por do sol 🙂

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E não podia perder esta oportunidade de assistir a este costume tão cubano.

A minha cor branquicela denunciou-me  logo que era turista, perguntaram-me de onde era e o que estava a achar do país…

O comunismo em Cuba pode ter os seus aspectos negativos, mas também tem o seu lado positivo… Um deles é a educação. O ensino médio e superior são gratuitos para todos os cidadão cubanos e é obrigatório até o 9º ano.

Não há analfabetos em Cuba, 99.8% da população cubana, acima de 15 anos, sabe ler e escrever. Impressionante não? Bem mais alta do que em Portugal, que é um país europeu desenvolvido…

E isso comprova-se ao falar com os cubanos, tem muita cultura geral. Quando dizia que era de Portugal, TODOS sabiam onde era… Sabiam que a capital é Lisboa, também sabiam da existência do Porto. Mesmo quando dizia que era da parte do sul de Portugal, também sabiam da existência do Algarve… Quantas vezes já me aconteceu, mesmo na Europa, dizer que era de Portugal e pensavam que ficava na Espanha… Dá que pensar 😉

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Sentei-me no muro do Malécon e fiquei a apreciar um belíssimo pôr do sol e deliciei-me com os carros antigos que iam passando na avenida.

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Mas não podia sair de Havana sem antes andar num coco táxi 🙂

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E foi uma experiência bem engraçada 😀 É uma das coisas que tem que ser feitas se forem a Cuba!

Havana (7)Fui até à parte velha da cidade, onde jantei um delicioso hambúrguer com uma coca-cola, lá do sítio, a Tukola 🙂

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Enquanto jantava, um grupo de músicos cubanos animava os transeuntes, com as suas canções alegres e contagiantes 🙂

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Cuba… Tinha curiosidade de conhecer esta ilha, de preferência antes que Fidel fosse desta para melhor… Decidi começar a ver os preços e, finalmente marquei a viagem para o inicio de Março. No final do mês de Fevereiro, o funcionário da agência de viagens ligou-me a dizer que havia um pequeno problema… A iberojet, a operadora onde tinha sido comprado a viagem, tinha ido à falência… Ou seja, tudo o que tinha reservado tinha ficado sem efeito… nessa altura caiu-me tudo! 😦

Era impossível remarcar para a mesma data, pelos valores que estava disposta a pagar. Acabei por remarcar tudo para o final de Maio, e ainda consegui um preço um pouquinho melhor 🙂

Finalmente tinha chegado o dia 20 de Maio, dia do meu aniversário. Na parte da tarde dirigi-me para a rodoviária para apanhar o autocarro até Lisboa. Mas não sabia que tinham mudado o local para apanhar o autocarro, já era hora de embarcar e nada de autocarro e nem passageiros… Felizmente apareceu um funcionário da EVA e avisou-me que já não era ali… Comecei a correr com as malas atrás, e vi o autocarro ao fundo a começar a abalar… Comecei a esbracejar e felizmente o autocarro parou! Uffaaa 😀

No dia 21 de Maio fui para o aeroporto de Lisboa para ir até Madrid, claro que o voo estava atrasado… Quase uma hora… Lá embarquei para Madrid, e já em Madrid fui literalmente a voar para a sala de embarque, pois já era a hora do voo para Havana 🙂

Após a desilusão de ter que desmarcar e, posteriormente, remarcar toda a viagem o meu entusiasmo ficou nas últimas. Só voltou quando entrei no transfer para o hotel, já em Havana. Não tirei os olhos do vidro, olhava em todas as direcção, para absorver tudo, e foi nessa altura que caiu-me a ficha… Estava em CUBA 😀

Em Havana fiquei hospedada no Hotel Habana Libre, escolhi este hotel principalmente devido à sua componente histórica. Este hotel foi ocupado pelo revolucionários cubanos Camilo Cienfuegos e Fidel Castro, liderados por Che Guevara. Permaneceram lá durante cerca de três meses, onde discutiram o rumo que a revolução deveria tomar.

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Mal fiz o check in arrependi-me de imediato da minha escolha… Estava desejosa de chegar ao quarto para tomar um banho e descansar. Dirijo-me ao meu suposto quarto e, quando abro a porta vejo uma senhora na cama… Fiquei completamente atrapalhada, fechei a porta logo de seguida e vou para a recepção… Estava danadissíma, e começo a explicar à recepcionista o que se tinha passado, e com toda a naturalidade do mundo, deram-me outro quarto, foi como se esta situação fosse bastante normal para eles…

Em compensação, fiquei no 7º andar e a vista era fantástica!

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Devido ao fuso horário, acordei cedíssimo e fui privilegiada por um nascer do sol, simplesmente deslumbrante 🙂

P1200058Quando sai do quarto reparei que a porta não ficava trancada… :/ Reportei a situação na recepção e disseram que iam logo resolver o problema. Estava com algum receio de deixar o passaporte e o dinheiro no quarto (como o cofre era pago, não aluguei…). Realmente resolveram a situação, e resolveram tão bem que quando quis voltar a entrar no quarto a porta não abria… 🙂 Nem a camareira conseguiu, resultado, ao final do dia ainda tinha o quarto por arrumar.

Conheci outros casais que também lhes tinha acontecido situação caricatas neste hotel…

Para um hotel de 5 estrelas esperava um pouco mais, a mobília do quarto estava um pouco velha, o ar condicionado do quarto estava avariado, não conseguia desligá-lo, nem mudar a temperatura… Apesar disso, os quartos são muito espaçosos. Sem dúvida, o que mais gostei foi dos pequenos almoços, uma enormeeee variedade e com óptima qualidade 🙂

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IMG_0167Porta da casa de banho

IMG_9601Hall de entrada no hotel

IMG_0233Várias fotos de de Che, Fidel e outros revolucionários quando ocuparam este hotel.

Tinha apenas um dia para conhecer Havana, por isso às 8 da manhã já estava a sair do hotel. Seguindo o itinerário de viagem feito por mim, o primeiro ponto de paragem seria o Callejon de Hamel, pelo que tinha pesquisado parecia-me bem pertinho do hotel… Mas era muito mais distante do que estava à espera e foi um pouco complicado dar com aquilo, mas com  a ajuda de alguns cubanos, que estão sempre dispostos a ajudar, consegui chegar.

Quase a chegar ao Callejon de Hamel, fui abordada por um cubano que se “voluntariou” para me levar lá e fazer uma visita guiada… Depois de vista este mural com pinturas, perguntou se queria charutos, como não estava interessada disse logo que não, mas o meu companheiro de viagem foi na dele… Quando reparei já estávamos bem distantes, a percorrer bairros sem quaisquer turistas, e queria que entrássemos numa cave…

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IMG_9577Disse logo que não entrava, fiquei com algum receio pois tinha acabado de fazer o câmbio de Euros para CUC´s e tinha muito dinheiro comigo… Desculpei-me que já estava atrasada para a reunião no hotel, com a operadora de viagem… Então, dispôs-se a levar-me ao hotel no carro dele, perguntei quanto levava, 50 CUC´s (cerca de 45€)!!! Agradeci-lhe, dei-lhe umas t-shirts e canetas… Mas claro que ele começou a reclamar, que queria era dinheiro… Tentei sair o mais rápido possível de lá, mas não sabia onde me encontrava… Mas tinha a ideia que o hotel não ficava muito distante do mar, segui nessa direcção… Apanhei um valente susto, mas serviu de lição, porque o povo cubano pode ser bastante prestativo, mas não podemos esquecer das condições em que vivem… Por isso, a maior parte deles, não fazem nada sem esperar algo em troca….

Quando comecei a ver o hotel respirei de alívio e comecei a apreciar o ambiente, aqueles carros bastante barulhentos e poluentes, toda a cidade fica impregnada com cheiro a petróleo, mas é impossível conseguir parar de tirar fotografias, estes carrros são fascinantes. Parece que fomos transportados para os anos 50 🙂

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De regresso ao hotel, encontrei um casal português que tinha conhecido no avião, e eles sugeriram conhecermos Havana de táxi. Na entrada do hotel fomos abordados pelo Didier que nos fez uma proposta, por 40 CUC´s levava-nos aos sítios que quiséssemos durante todo o dia. Depois do que me tinha acabado de acontecer, achei esta ideia bastante viável.

O Didier foi impecável, levou-nos a todos os sítios que queríamos conhecer em Havana.

Começamos por visitar a Plaza de La Revolution e o Memorial José Martin.

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IMG_9634A Plaza de la Revolution é o local da sede do governo Cubano e centro da vida política e económica do país, desde o inicio dos anos 50.

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IMG_9617Monumento dedicado a José Marti, herói nacional Cubano.

De seguida fomos à fábrica de rum Legendário, foi-nos permitido conhecer as instalações e o processo de fabrico do rum, e de seguida assistimos a um show de confecção de café com rum. E foi o melhor café que já bebi na vida (E eu não gostava de rum…). Divinal!!

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IMG_9670Trouxe uma garrafinha de Rum por 6 CUC´s, e que Rum, sem qualquer dúvida o melhor rum que já bebi…

Passado um bocado o Didier pergunta-nos se queríamos charutos, disse-nos que tinha um amigo que vendia charutos a um preço muito mais acessível do que na fábrica. Lá fomos à casa desse amigo e comprei uma caixa de charutos, por 20 cuc´s, estava com algum receio que fosse apreendido no aeroporto, mas correu tudo bem.

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O calor começava a apertar por isso fizemos uma pequena paragem no bar Havana Club, para beber algo fresco. Pedi um pinacolada… Tão, mas tão boaaaaa 🙂 Estava a ser impossível não começar a apaixonar-me por este país… 🙂

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Já esfomeados, pedimos ao Didier para nos levar a um restaurante. Levou-nos ao El Guajirito, eu comi um prato tipicamente cubano, ropa veija e adorei! Como era de esperar o prato que o Didier pediu quem teve que paga-lo fomos nós, e ainda por cima, o prato que escolheu era o mais caro do menu! 😀

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Para desmoer o almoço fomos andar pela parte velha da cidade, começamos pelo Capitólio.

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IMG_9679A grandiosa antiga sede do congresso foi inaugurada em 1926, combinando elementos Art Deco num plano neoclássico similar ao Capitólio de Washington.

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De seguida fui para La Floridita, um dos bares preferidos de Hemingway, onde ele costumava beber Daquiris. Só lá entrei para tirar a foto da praxe, junto à estátua de Hemingway. O bar estava a abarrotar de turistas, por isso não tive lá muito tempo…

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 Continuando pela parte velha da cidade, passamos pela Iglesia Y Convento San Francisco.

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IMG_9759Esta parte da cidade estava toda em obras e em algumas ruas era difícil transitar…

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Passei muito rapidamente pela Plaza de Armas, nesta altura o Didier já tinha colocado o turbo e quando me apercebia  já ele estava bem distante, lá tinha que ir a correr para o apanhar 🙂

IMG_9793De seguida passamos pela plaza de la catedral, não entrei na Catedral, apenas tive uns breves momentos por aqui, a tirar fotografias 🙂

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Alí perto encontra-se outro bar muito conhecido, o Bodeguita del Medio, mais conhecido por ter o melhor mojito. Este bar também era frequentado pelo Hemingway.

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IMG_9830Frente ao bar estava a tocar e a cantar um cubano cego e actuava tão bem que fiquei um belo bocado a assistir e, apesar de ser forreta, dei uma moeda 🙂

Aliás, toda a cidade é uma animação, somos surpreendidos em várias partes por cubanos a tocar ou a cantar… E é verdadeiramente contagiante.

Seguimos para a Plaza Vieja, esta praça é muito bonita, com todas as casas com a pintura muito cuidada. Quando descarreguei as fotos é que reparei que o azulejo onde indicava o nome da Plaza Vieja era Português 🙂

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IMG_9761Entrei no hotel Ambos Mundo, era aqui que Ernest Hemingway ficava hospedado quando ia a Havana. Lá dentro tem várias fotos do escritor.

IMG_9778Mesmo à frente do hotel encontra-se o café La Columnata Egipciana, era o café frequentado por Eça de Queirós quando foi Cônsul de Portugal em Havana. O calor estava fortíssimo, por isso fiz uma pequena paragem neste café, onde me refresquei com uma água bem fresca.

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Mesmo a terminar o dia, e já de regresso ao hotel, acabou o combustível do carro do Didier… Ficamos apeados… 🙂

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Como ainda não tínhamos pago a visita guiada, o Didier pediu-nos se podíamos pagar, porque não tinha dinheiro para o combustível…

Já de regresso ao hotel, era tempo para apreciar, mais uma vez, a vista do meu quarto…

IMG_9862No final do dia o cansaço era tanto que nem tive forças para procurar um restaurante para jantar, acabei por jantar pelo hotel. Os preços até eram acessíveis e a comida era razoável.

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