Campo de Concentração Auschwitz-Birkenau

Desde que tenho o blog, este foi o post mais difícil de escrever… há vários meses que o tinha a meio gás e nunca o conseguia terminar. Faltavam-me sempre as palavras para descrever a experiência que tive ao visitar Auschwitz. Mas cá vai…

Quem me conhece sabe da minha curiosidade acerca da história da Alemanha Nazi e dos seus campos de concentração. Já vi diversos documentários, li vários livros, fui a alguns Museus sobre o assunto (Berlim e Budapeste) e até já visitei o campo de concentração Sachsenhausen, em Berlim. Isto tudo para tentar compreender como foi possível acontecerem estes crimes bárbaros durante tanto tempo, sem que alguém tenha impedido e travado tamanha atrocidade. Mas, por mais que me informe sobre o assunto, é impossível compreender a imensa maldade do ser humano… Auschwitz não é uma invenção cinematográfica ou literária. Infelizmente existiu e acho que todos deveríamos visitar este lugar para termos conhecimento do que realmente se passou, de como o ser humano pode ser tão cruel e fazer mal ao seu semelhante, só por terem uma religião, etnia, ideias políticas ou orientação sexual diferentes.

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Há vários anos que queria ir a um dos mais maiores campos de extermínio, Auschwitz-Birkenau e, quando surgiu a hipótese de visitar a Polónia, não pensei duas vezes. Era obrigatório incluir uma visita a este local.

Um pouco de história…

Os campos de concentração foram criados no terceiro Reich e aqui eram aprisionadas pessoas consideradas como “elementos indesejáveis” para o regime Nazi; Judeus, Homossexuais  e adversários políticos.

Auschwitz (Junho 1940-Janeiro 1945) foi o primeiro campo de concentração Alemão fundado na Polónia e tornou-se o maior entre todos os campos existentes.

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Os membros das SS mantinham os judeus para lá deportados sem conhecimento sobre aquilo que os esperavam, até ao final… Muitas vezes diziam-lhes que seriam direccionados ao campo, mas antes deveriam passar pela desinfecção e banho. Aqui, a realidade era serem encaminhados para a câmara de gás.

Durante a existência de Auschwitz os Alemães deportaram para o campo, no mínimo, 1,3 milhões de pessoas.

O número exacto de mortos em Auschwitz é impossível de ser determinado, uma vez que os nazis destruíram grande parte dos registos. Mas estima-se que cerca de 900 mil judeus foram assassinados nas câmaras de gás logo após a sua chegada.

No final de 1944, quando os Alemães se aperceberam da possível derrota na guerra, começaram a destruir as provas dos crimes: Queimaram os registos dos prisioneiros, as listas de Judeus deportados, levaram objectos roubados das vítimas… Durante a última semana de existência do campo, explodiram as câmaras de gás e incendiaram os armazéns com os pertences deixados pelos Judeus, de forma a eliminar os vestígios do que tinha acontecido naquele local.

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A 27 de Janeiro de 1945 sete mil e quinhentos prisioneiros doentes e esgotados deixados no campo, foram libertados pelos soldados soviéticos.

Auschwitz II – Birkenau 

Algo que desconhecia até à minha visita a este local, era que o campo de concentração é dividido em duas partes: Auschwitz, com uma dimensão de 20 Hectares e por Auschwitz II – Birkenau, com 171 Hectares e que estão a uma distância de 3Km entre eles. O Museu e Memorial que actualmente podemos visitar, foi fundado em 1947 e abrange a superfície do antigo campo de concentração de Auschwitz, sendo o maior campo de extermínio e  o único antigo campo tão bem conservado em relação ao seu estado original.

Iniciámos a nossa visita por Auschwitz II – Birkenau. Este campo começou a ser construído no Outono de 1941 e foi planeado para ser um campo para prisioneiros de guerra soviéticos, acabando por tornar-se no maior centro de extermínio de judeus e no maior campo de concentração nazi para prisioneiros de diferentes nacionalidades. No verão de 1944, durante o maior fluxo de transporte de judeus da Hungria e da Polónia para Birkenau, encontravam-se por lá cerca de 90 mil prisioneiros: 69 mil judeus, 13 mil polacos e 8 mil de outras nacionalidades.

Assim que entramos em Birkenau deparamo-nos com a linha ferroviária. Era aqui que  as SS dividiam os prisioneiros mal eles chegavam, entre os que iam directamente para as câmaras de gás (idosos, crianças e mulheres na sua maioria) e os que ainda tinham utilidade para trabalhos forçados.

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À nossa direita encontramos alguns barracões de madeira e aqui podemos ver os compartimentos onde se acumulavam os prisioneiros. Era aqui que dormiam e faziam as suas necessidades, e podemos ficar com uma pequena ideia das condições desumanas a que que foram obrigados a sobreviver…

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Em Birkenau podemos encontrar o que resta dos fornos crematórios e câmaras de gás, uma vez que as SS os explodiram durante a última semana de existência do campo, numa tentativa de apagar as provas de genocídio.

Fornos Crematórios

Fornos Crematórios

Auschwitz foi o único campo onde os cadáveres dos prisioneiros eram cremados em larga escala, em modernos e eficientes fornos crematórios. Segundo um relatório elaborado pelas SS, os crematórios tinham uma capacidade para 4756 cadáveres por dia.

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O campo ainda preserva as suas torres de vigia, assim como as “paredes” de arame farpado ao longo do seu perímetro.

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Depois de duas horas a percorrer todos os cantos de Birkenau, tentamos assimilar e compreender o que aqui se passou. Mas é impossível compreender o incompreensível!

Auschwitz não pode ser esquecido e tem que ser visitado.

Auschwitz I

A uma distância de 3 km encontra-se Auschwitz I, e foi para lá que nos dirigimos de seguida, num percurso efectuado por autocarro.

Logo à entrada de Auschwitz I podemos visualizar a frase mais conhecida da história Nazi “Arbeit Macht Frei” (O Trabalho Liberta). Depois de passar por este conhecido letreiro senti um arrepio na espinha, e imaginei que os milhares de prisioneiros que por aqui passaram devem ter sentido um réstia de esperança ao ler aquilo, e que se trabalhassem muito tudo ia correr bem… Não foi o caso 😦

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São 17 os blocos que podemos visitar para compreender o que lá passou… O Bloco 5 é um dos mais chocantes, pois aqui encontramos várias provas dos crimes. Milhares de objectos pessoais trazidos pelos deportados, desde óculos, sapatos, malas de viagem, pincéis de barba, etc. E o mais chocante de tudo, cerca de duas toneladas de cabelos que foram cortados às vitimas aquando da sua chegada ao campo.

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Há várias salas onde podemos perceber como era o dia-a-dia dos prisioneiros, assim como exposições fotográficas, muitas delas bastante chocantes. Uma que me impressionou particularmente, foi no Bloco nr.º 6. Aqui estão expostas várias fotografias dos detidos que estiveram no campo de concentração, com informações desde o nome, o numero de registo e data de nascimento. Todos os homens e mulheres que aparecem nessas fotos, morreram por lá.

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Estarmos no exacto local onde mais de um milhão de inocentes perderam a vida é avassalador e não deixa ninguém indiferente mas, na minha opinião, é uma visita “obrigatória”. Partilho a ideia de uma frase que li no campo “Those who do not remember the past are condemned to repeat it”.

Informações Práticas – Como visitar:

Excursão organizada

Por uma questão de praticidade marcamos a visita para Auschwitz através do site Get Your Guide. O site é muito fácil de utilizar, basta seleccionar a excursão que pretendemos ir; escolher o dia e fazer o pagamento. Logo de seguida recebemos um e-mail com os respetivos vouchers, onde está descriminado a hora e os locais onde o autocarro pára para recolher as pessoas que adquiriram estas excursões.

Existem várias excursões para Auschwitz , nós decidimos ir nesta, pagamos cerca de 22€/ pessoa. Estava incluído o transporte de ida-volta em autocarro, a partir de Cracóvia, o percurso entre Auschwitz I e Auschwitz II (são cerca de 3 km), o bilhete de entrada para o campo e um livro com toda a história do campo no nosso idioma.

Esta excursão teve uma duração de 8 horas (desde que saímos de Cracóvia até ao regresso), e apesar de ser possível visitar os campos de uma forma mais económica, recomendo fazê-lo por este site.

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De forma independente

É possível visitar Auschwitz de forma independente e gratuíta, sem recorrer as excursões. A primeira coisa que devem ter em atenção é adquirir os bilhetes o mais breve possível, pois eles esgotam rapidamente. Para fazê-lo, basta irem ao site oficial do campo (aqui), escolher a o dia e a hora.

Normalmente as primeiras e as últimas visitas são sem guia, e dessa forma, não precisam pagar nada, mas tem que adquirir o bilhete à mesma, através do site.

Como lá chegar:

Os campos de concentração encontram-se a cerca de 80 Km de Cracóvia, e essa foi umas das razões que me levou a fazer esta visita através da excrusão organizada. Mas é possível fazer-se a visita por conta própria:

  • Comboio: A partir da estação Central de Cracóvia existem vários comboios em direção à Gare Oswiecim, que se encontra a cerca de dois quilómetros dos campos.
  • Autocarro: Os autocarros saem da estação de autocarros MDA (ao lado da estação de comboio) e a paragem Oswiecim Museum é bem próximo da entrada dos campos. Se tivesse feito a visita a Auschwitz de forma independente, esta teria sido a opção que tinha escolhido para lá chegar.

Entre Auschwitz e Birkenau são 3 km que podem ser percorridos de táxi, autocarro ou a pé. Existe um  autocarro  do museu que faz esse trajecto de forma gratuita. As partidas do campo de concentração de Auschwitz, entre Abril e Outubro, ocorrem a cada 10 minutos, entre Novembro e Março, a cada 30 minutos.