Um dia na Ilha de Gozo | Malta

A Ilha de Gozo foi a desilusão nesta viagem por Malta. Não por não ter gostado do que visitei, mas pelas expectativas demasiado elevadas em relação a esta ilha e, como fomos demasiado optimistas com os planos que tínhamos para apenas um dia, não conseguimos visitar todos os pontos que estavam no nosso roteiro. Apesar de Gozo ser a segunda maior ilha de Malta, é na realidade bem pequena, mas com muitos lugares de interesse para visitar. Por isso, para quem está a pensar lá ir tenho dois conselhos: Ficar a pernoitar para ter mais tempo para conhecer tudo com calma e levar carro (ou alugar lá), pois vários lugares são um pouco complicados de chegar através dos transportes públicos.

Decidimos levar o carro para Gozo porque achamos que era fundamental para visitarmos tudo o que nos tínhamos proposto e confirmou-se ser a melhor decisão. Chegamos ao Porto de Cirkewwa alguns minutos antes da hora do ferry e já lá se encontravam vários carros. O processo de embarque foi relativamente rápido e eficiente. Não pagámos nada ao embarcar, pois o bilhete só é adquirido no regresso.

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Dentro do ferry

Entramos com o carro para o ferry, onde é tudo sinalizado e organizado, cabendo muitas viaturas lá dentro. Como ninguém pode permanecer dentro do carro durante a viagem, dirigimo-nos ao andar de cima e  aproveitamos para apreciar as vistas. O barco é bem grande, tem dois bares com diversas bebidas e snaks, uma papelaria, WCs, áreas abertas e fechadas. A viagem foi bem tranquila e cerca de 30 minutos depois já estávamos a desembarcar em Gozo.

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Começamos a viagem por esta ilha da melhor forma possível: a perdermo-nos. 😛      Como achávamos que tínhamos todo o tempo do mundo, decidimos andar um pouco à aventura sem rumo certo…resultado: acabamos em caminhos de terra batida onde mal cabia um carro (e eu só a pensar na caução), e andamos nisto cerca de uma hora! 😛

Depois deste devaneio lá retomamos o foco e dirigimo-nos para  a primeira paragem do dia: o impressionante miradouro na gruta Calypso.

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Entrada para a gruta

O caminho até lá é de terra batida e o estado do mesmo não é dos melhores, mas a paisagem compensa largamente o esforço.

Do interior da gruta as vistas para a baía de Ramla são soberbas. Daqui podemos apreciar melhor o extenso areal dourado da praia de Ramla, que é muito requisitada pelos turistas que procuram praias grandes e com areia (o que não é assim tão comum em Malta).

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Levamos imenso tempo por lá, a apreciar a paisagem e a tirar fotos até a nossa paz ter sido interrompida por um enorme grupo de turistas.

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Quando nos apercebemos, já eram horas de almoço e como não tínhamos ideia em que local parar para comer, fomos conduzindo até chegar à pequena localidade de Marsalforn. Pareceu-nos o local ideal para encontrar algum sítio para almoçar, pois havia vários restaurantes junto à Marina. A nossa decisão recaiu no restaurante “Il Kartell” e foi sem dúvida uma escolha acertada! Foi uma das melhores refeições que tive em Malta, onde comi uma especialidade do país, raviolli com queijo de cabra e molho de tomate. Além da comida maravilhosa, ficamos na esplanada e apreciamos a bela vista para o mar mediterrâneo.

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Aqueles momentos souberam pela vida! Mas a tarde ia avançado e ainda tínhamos tanto para ver… Por isso, arrancámos à descoberta desta pequena ilha.

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A segunda paragem do dia foi no lugar que mais surpreendeu em Gozo, as Salt Pans (salinas).

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Na costa norte da ilha encontra-se uma extensa área de salinas escavadas nas rochas, mesmo junto ao mar. Uma conjunção de factores como a boa qualidade da água do mar, a posição das salinas e das rochas e também o clima, tornam esta área perfeita para a colheita do sal.

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A tradição do sal nesta região existe há séculos e é uma prática que tem sido transmitida de pais para filhos sendo o sustento de várias famílias locais.

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Depois de várias fotos seguimos rapidamente para o próximo destino; o desfiladeiro Wied il-Ghasri. Quando vi uma imagem deste local quis logo incluí-lo no nosso roteiro.

É possível chegar até lá de carro, mas o caminho é bem sinuoso e de terra batida, por isso “estacionamos” onde nos foi possível e fizemos o resto do percurso a pé até ao topo do vale, e lá de cima a vista é soberba. O vale esculpido nos rochedos e os vários tons de azul e verde da água do mar é espectacular!

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Uma das partes boas de viajar com carro é podermos parar quando e onde quisermos, sem estar dependentes de itinerários rigorosos e horários. Isso permitiu-nos fazer várias paragens quando achávamos algum sítio interessante.

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O próximo destino foi a Basílica Ta´Pinu.

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Foi a Sandra que sugeriu lá irmos e ainda bem que o fez. Esta igreja é de uma imponência brutal e toda a sua construção e envolvência não deixa ninguém indiferente.

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Reza a lenda que a Virgem apareceu aqui a uma mulher de Gharb, no início do século XIX, deixando um rasto de milagres. Para assinalar a sua aparição foi construída esta Basílica, que se converteu num lugar de peregrinação.

Chegamos a este local momentos antes da missa da tarde e é impressionante ver como os Malteses são religiosos. Como esta basílica é um pouco isolada, sem qualquer povoação nas proximidades, vimos vários autocarros, carrinhas e carros a transportar inúmeras pessoas apenas para assistirem à missa.

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A paragem seguinte, que era para mim a mais esperada do dia foi também a maior desilusão de Gozo: Azure Window (Janela Azul).

A Janela Azul era uma das imagens de Malta e uma das maiores atracções do país. O icónico arco natural esculpido na rocha formava uma “janela” perfeita e era uma das formações rochosas mais conhecidas do mundo.

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Tentativa falhada de fazer uma fotografia engraçada

Era um local de tal beleza que serviu de cenário à cena do casamento de Daenerys Targaryen e Khal Drogo na “Guerra dos Tronos”, e também nos filmes “Choque de Titãs” (1981) e “O Conde de Monte Cristo” (2002).

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Mas, para quem não sabe, a Janela Azul colapsou a 8 de Março de 2017 devido a fortes tempestades. Apesar de já estar ciente dessa situação pensava que apenas tinha caído o arco e que a coluna que sustentava o arco ainda continuava lá… Sinceramente não tinha pesquisado muito sobre o assunto e foi uma verdadeira desilusão o que lá encontrei. Não resta nada daquela imagem que todos temos, pois ruiu completamente.

Mesmo junto às ruínas da Janela Azul encontra-se o Blue Hole, que é um local bastante procurado para fazer mergulho.

Muito próximo daqui encontra-se a Inland Sea, que como o nome indica é um bocado de mar na terra. A água vem de um túnel que está “escavado” no meio do rochedo e há possibilidade de fazer passeios de barco pelas grutas.

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A última paragem do dia seria em Victoria que é a maior e mais importante cidade de Gozo. Mas, infelizmente, não conseguimos visitar porque não estávamos a encontrar lugar para estacionar e começamos a ver que as horas já iam ficando curtas para apanhar o ferry e conduzir até St. Julians (local do nosso apartamento), tendo a viajar connosco uma bebé de quase 2 anos. (Havia banho, jantar e dormida para tratar).

Assim, com alguma tristeza, desistimos da ideia de ver a cidade de Victoria e fomos apanhar o ferry de volta para Malta.

Guia prático de Gozo

Como chegar:

Os ferries para a ilha de Gozo partem do porto de Cirkewwa, na ilha de Malta. Nós levamos o carro para a ilha e a experiência de embarque correu super bem, bastante organizado, como contei no início deste post.

É possível chegar de transportes públicos até ao porto de Cirkewwa, pode apanhar o autocarro nr.º 41 ou 42 desde Valletta ou o 222 desde Sliema e St. Julians.

Para regressar a Malta temos que regressar ao porto de Mgarr, em Gozo, passamos com o carro por um guichê (nem precisamos sair do veículo) onde é efectuado o pagamento, não se paga nada na ida, apenas quando se regressa.

Nós pagamos 29,65€ (15,70€ pelo carro e condutor + 4,65€ por adulto, éramos 3).

O regresso efectuou-se de forma bem tranquila e organizada.

Mais informações de horários e preços actualizados consulte o seguinte site: Gozo Channel.

Deslocações em Gozo:

Recomendo levarem carro ou alugarem um veículo em Gozo, para conseguirem conhecer mais e melhor a Ilha e visitar além do óbvio, que foi o que mais me surpreendeu por lá. Sinceramente não estou a ver como conseguiríamos visitar tudo o visitamos em tão pouco tempo se estivéssemos dependente de transportes públicos.

Um boa alternativa para quem não quer conduzir ou não tem carta de condução são os autocarros Hop on Hop off, pois eles param nos principais pontos turísticos.  Para mais informações consultem o site: City Sightseeing.

Quando tempo ficar em Gozo

Se querem conhecer bem Gozo aconselho a pernoitarem, pelo menos por uma noite. Porque apenas com um dia não dá para ver tudo o que esta pequena ilha tem para oferecer.

Se a vossa viagem por Malta for muito curta e quiserem combinar num dia a visita a Comino e Gozo teoricamente é possível fazê-lo, apesar de não aconselhar pois será tudo muito corrido. Mas entre ir ou não ir de todo, é sempre melhor conhecer um pouco do que nada. Os ferry´s de Comino fazem a travessia às três ilhas, é uma questão de verificarem no site os horários e planearem bem a visita.

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